Língua Portuguesa

 

A língua portuguesa tem raízes principalmente no latim, com grandes contribuições do grego. Suas raízes remontam ao domínio do Império Romano sobre a região da antiga Lusitânia, a partir do século 3 aC. A Lusitânia envolvia o atual país de Portugal e a região da Galícia, na Espanha. A interação entre o latim e as línguas locais deu origem ao português, que também sofreu influências de invasões de povos germânicos e árabes, na Idade Média.

As conquistas ultramarinas portuguesas, a partir do século 15, levaram a língua portuguesa para a África, Ásia e América do Sul. Transformaram-na na sexta língua mais falada do mundo, depois do mandarim, espanhol, inglês, hindu e árabe. O Brasil é o único país de língua portuguesa da América e, também, um país integrado pela língua.

Os primeiros textos literários conhecidos, em português, datam do século 13. A imprensa chegou em Portugal na segunda metade do século 15, alavancando o amadurecimento da língua portuguesa. A primeira gramática da língua portuguesa foi publicada em 1536, intitulada Grammatica da lingoagem portuguesa, de Fernão Oliveira. Os Lusíadas, de Camões, foi publicado em 1572. O primeiro dicionário da língua portuguesa, de Raphael Bluteau, foi publicado em 1712 e possuía cerca de 40 mil vocábulos. Estima-se que, atualmente, o português possua mais de 400 mil verbetes.

Hoje, o português é falado por mais de 260 milhões de pessoas. É a língua oficial de 9 países: Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Guiné Equatorial.

A Guiné Equatorial era um observador associado da Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), desde 2006. Em julho de 2014, tornou-se o nono país membro de pleno direito, assumindo o compromisso da utilização efetiva da língua portuguesa no País. Hoje, a Guiné Equatorial possui três línguas oficiais: espanhol (principal), francês e português (menos falado). A Guiné Equatorial era um domínio português até 1778, quando foi cedida à Espanha. Na Ilha de Ano Bom ainda se fala uma espécie de português antigo misturado com variações do crioulo, também com raízes da época do domínio português.

Em Macau, as principais línguas são o cantonês (86%) e o chinês. O português também é uma língua oficial, embora não seja muito falada na Cidade, que desde 1999, é administrada pela China. Lá existe o Instituto Português do Oriente.

Existem ainda seis países que são observadores associados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, são: Geórgia, Maurícia, Japão, Namíbia, Senegal e Turquia. Nessa condição, os países comprometem-se a promover e a difundir a língua portuguesa.

Os portugueses deixaram a marca de sua língua em variedades do crioulo faladas em várias partes da costa africana e asiática. Essa é uma das razões porque Maurícia, Namíbia e Senegal tornaram-se observadores associados da CPLP.

Em Goa, na Índia, muitos falam português, principalmente os mais velhos, mas raramente como primeira língua. Até 1962, Goa era uma possessão portuguesa.

Existe também o galego, uma língua falada, na Espanha, ao norte de Portugal, mais parecida com o português do que com o espanhol. Existe inclusive a Academia Galega da Língua Portuguesa.

O interesse pela língua portuguesa no mundo tem aumentado, ano a ano.

 

Portugal Turismo

 

Folha de rosto da primeira gramática da língua portuguesa de Fernão de Oliveira, publicada em 1536. O original está online pela Biblioteca Nacional de Portugal.

 

Sede da Academia Pernambucana de Letras no Solar de Ponte d’Uchoa, do século 19, em Recife. Fundada em 26 de janeiro de 1901, a Academia Pernambucana é uma das mais antigas e tradicionais do Brasil.

 

Entrada do Palácio Panafiel, em Lisboa, construído no século 18, sede da Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

 

 

Camões

 

A Batalha Gramatical entre Dois Baianos Ilustres

Rui Barbosa

Ruy Barbosa (1849-1923).

 

Carneiro Ribeiro

Carneiro Ribeiro (1839-1920).

Em 1899, o então ministro da Justiça, Epitácio Pessoa, incumbiu o jornalista e professor de direito Clóvis Beviláqua (1859-1944) para redigir o anteprojeto do Código Civil brasileiro. A redação da obra foi concluída em outubro de 1900 e encaminhada ao Congresso Nacional.

O jurista e senador baiano Ruy Barbosa presidiu a comissão do Senado encarregada de estudá-lo. Seu parecer foi entregue em abril de 1902, com muitas críticas quanto à vernaculidade do trabalho de Clóvis Beviláqua. Esta obra, com 560 páginas, foi publicada pela Imprensa Nacional sob o título: "Parecer do Senador Ruy Barbosa sobre a Redação do Projeto do Código Civil".

No mesmo ano, o médico e renomado filólogo baiano Ernesto Carneiro Ribeiro, professor de Castro Alves e do próprio Ruy Barbosa, foi convidado a realizar a revisão gramatical do Projeto do Código Civil. Em outubro de 1902, seu trabalho, “Ligeiras Observações sobre as Emendas do Dr. Ruy Barbosa ao Projeto do Código Civil”, foi publicado no Diário do Congresso. 

Em 1904, Ruy Barbosa fez a sua monumental “Réplica” ao trabalho de Carneiro Ribeiro. Ainda hoje, uma das mais importantes obras sobre a língua portuguesa.

Em 1905, Carneiro Ribeiro concluiu a sua "Tréplica": “Redação do Projeto do Código Civil e a Réplica do Dr. Ruy Barbosa”. Outra obra admirável.

Em 1916, após 16 anos de acaloradas discussões, o Código Civil brasileiro foi finalmente aprovado. Esteve em vigor até 2002, dando lugar ao atual Código Civil.

Ruy Barbosa e Clóvis Beviláqua foram membros fundadores da Academia Brasileira de Letras. As discussões gramaticais junto com Carneiro Ribeiro, em torno do projeto do Código Civil, resultaram em contribuições monumentais à Língua Portuguesa.

 

Os nomes das letras "E" e "O"

Pela tradição culta da língua portuguesa e como consta preferencialmente no Acordo Ortográfico (veja Anexo I abaixo), pronuncia-se /é/ e /ó/, sons abertos, para os nomes das letras "e" e "o". Assim também é registrado em quase todos os dicionários da língua portuguesa. O novo Aurélio, em sua 5ª edição, pela Editora Positivo do Paraná, preferiu adotar também a pronúncia /ê/ para a letra "e". Em algumas partes do Brasil, incluindo São Paulo e Sul do Brasil, o alfabeto não é ensinado seguindo a tradição culta da língua portuguesa, mas o ensino do alfabeto deveria ser unificado.

Também, pela tradição culta da língua portuguesa, a pronúncia da conjunção "e" é /i/. Veja o antigo Aurélio, o tradicional Lello de Portugal e outros dicionários do século 20. Em 2001/2004, o Houaiss, um dicionário cheio de modismos, passou a registrar o som dessa conjunção como /ê/, diferente da tradição culta.

Pela tradição culta, diz-se "eu /i/ você" (e não, "eu /ê/ você").

Abaixo, a letra "e" segundo o tradicional Dicionário Lello, de Portugal, edição de 1941, antes das mudanças ortográficas nos anos seguintes.

Lello

A letra "e" segundo o Aurélio, 2ª edição (1986), abaixo.

Aurelio

A letra "e" segundo o Diccionario da lingua portugueza de Antonio de Moraes Silva (1813), abaixo.

Moraes Silva

 

ANEXO I - Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa - 1990

Base I

Do alfabeto e dos nomes próprios estrangeiros e seus derivados

1º) O alfabeto da língua portuguesa é formado por vinte e seis letras, cada uma delas com uma forma minúscula e outra maiúscula:

 

a    A    (á)

b    B    (bê)

c    C    (cê)

d    D    (dê)

e    E     (é)

f     F     (efe) 

g    G    (gê ou guê)

h    H    (agá)

i      I     (i)

j    J     (jota)

k   K    (capa ou cá)

l     L    (ele)

m   M   (eme)

n    N    (ene)

o    O    (ó)

p    P     (pê)

q    Q    (quê)

r      R   (erre)

s    S     (esse)

t     T     (tê)

u    U     (u)

v    V     (vê)

w   W    (dáblio)

x     X     (xis)

y     Y     (ípsilon)

z      Z     (zê)

 

Obs.:

1. Além destas letras, usam-se o ç (cê cedilhado) e os seguintes dígrafos: rr (erre duplo), ss (esse duplo), ch (cê-agá), lh (ele-agá), nh (ene-agá), gu (guê-u) e qu (quê-u).

2. Os nomes das letras acima sugeridos não excluem outras formas de as designar.

 

2º) As letras k, w e y usam-se nos seguintes casos especiais:

a) Em antropónimos/antropônimos originários de outras línguas e seus derivados: Franklin, frankliniano; Kant, kantismo; Darwin, darwinismo; Wagner , wagneriano; Byron , byroniano ; Taylor , taylorista;

b) Em topónimos/topônimos originários de outras línguas e seus derivados: Kwanza, Kuwait, kuwaitiano; Malawi, malawiano;

c) Em siglas, símbolos e mesmo em palavras adotadas como unidades de medida de curso internacional: TWA, KLM; K-potássio (de kalium), W-oeste (West ); kg-quilograma, km- quilómetro , kW-kilowatt, yd- jarda (yard ); Watt .

3º) Em congruência com o número anterior, mantêm-se nos vocábulos derivados eruditamente de nomes próprios estrangeiros quaisquer combinações gráficas ou sinais diacríticos não peculiares à nossa escrita que figurem nesses nomes: comtista, de Comte; garrettiano , de Garrett ; jeffersónia/jeffersônia, de Jefferson; mülleriano, de Müller, shakespeariano, de Shakespeare.

Os vocabulários autorizados registrarão grafias alternativas admissíveis, em casos de divulgação de certas palavras de tal tipo de origem (a exemplo de fúcsia/ fúchsia e derivados, buganvília/ buganvílea/ bougainvíllea).

4º) Os dígrafos finais de origem hebraica ch, ph e th podem conservar-se em formas onomásticas da tradição bíblica, como Baruch, Loth, Moloch, Ziph, ou então simplificar-se: Baruc, Lot, Moloc, Zif. Se qualquer um destes dígrafos, em formas do mesmo tipo, é invariavelmente mudo, elimina-se: José, Nazaré, em vez de Joseph, Nazareth; e se algum deles, por força do uso, permite adaptação, substitui-se, recebendo uma adição vocálica: Judite, em vez de Judith.

5º) As consoantes finais grafadas b, c, d, g e t mantêm-se, quer sejam mudas, quer proferidas, nas formas onomásticas em que o uso as consagrou, nomeadamente antropónimos/antropônimos e topónimos/ topônimos da tradição bíblica: Jacob, Job, Moab, Isaac; David, Gad; Gog, Magog; Bensabat, Josafat.

Integram-se também nesta forma: Cid, em que o d é sempre pronunciado; Madrid e Valhadolid , em que o d ora é pronunciado, ora não; e Calecut ou Calicut, em que o t se encontra nas mesmas condições.

Nada impede, entretanto, que dos antropónimos/antopônimos em apreço sejam usados sem a consoante final Jó, Davi e Jacó.

6º) Recomenda-se que os topónimos/topônimos de línguas estrangeiras se substituam, tanto quanto possível, por formas vernáculas, quando estas sejam antigas e ainda vivas em português ou quando entrem, ou possam entrar, no uso corrente. Exemplo: Anvers, substituído por Antuérpia; Cherbourg , por Cherburgo ; Garonne , por Garona ; Genève, por Genebra; Jutland, por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Munique; Torino , por Turim ; Zürich, por Zurique, etc.

 

Historia Imprensa

 

Antonio Vieira

 

Literatura

 

Dupla Negação: Quando dizemos SIM, pensando em dizer NÃO

- Não tenho nada.

A sentença acima tem o significado lógico de "tenho algo".

A intenção de quem usa a dupla negação é a de enfatizá-la. O resultado lógico, entretanto, é o inverso. Na lógica matemática, dois termos de negação, numa mesma sentença, significam sim.

Para muitos, Lógica é uma matéria da Matemática que usa símbolos engraçados para expressar ideias que todo mundo já teve. Lógica, entretanto, é um ramo da Filosofia que estuda os processos de pensamento, na busca de se determinar o que é verdadeiro.

Mais exemplos:

Sentença Significado Lógico
 - Não vou a lugar nenhum*.  - Vou a algum lugar.
 - Ele não tem nenhuma chance**. - Ele tem alguma chance.
- Isso não é nada. - Isso é algo.

Melhor seria:

* Não vou a lugar algum.

** Ele não tem chance alguma ou ele não tem qualquer chance.

 

Universidades

 

Bibliotecas

 

Plural de Números Reais

A melhor abordagem é usar o plural para números maiores que a unidade e o singular para números entre zero e um. Exemplo: 1,2 milhões / 0,8 milhão.

 

 

Palacio Lisboa

 

O ensaísta, filólogo e lexicógrafo alagoano Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1910-1989) tornou-se sinônimo de dicionário. O primeiro Aurélio foi lançado em 1975 e foi sucesso imediato. Em 2010, a obra recebeu nova edição atualizada e ampliada.

 

O Dicionário Repudiado

O dicionário Houaiss recebe muitas críticas pelo seu exagero em teor ofensivo e falso a algumas populações. São inaceitáveis difamações coletivas. Muitas instituições de ensino o consideram inadequado. Muitos o repudiam.

Houaiss optou por registrar a ignorância daqueles que não sabiam o que diziam. Houaiss foi parcial quando também não registrou o que outras pessoas diziam sobre termos que lhe eram caros.

Há também um exagero em significados efêmeros e modismos, confundindo o entendimento culto das palavras e entulhando a obra.

Um dicionário não é apenas um catálogo de palavras. É um instrumento educativo. Cabe ao lexicógrafo zelar pela qualidade da língua e não registrar todo tipo de lixo.

 

História das Reformas Ortográficas da Língua Portuguesa

Até o início do século 20, o português não tinha uma ortografia padronizada, motivo porque Brasil é escrito com z, em algumas línguas. Nosso País adotava ora uma grafia com z, ora com s. Farmácia era escrito com ph e comum, com dois emes.

A primeira reforma ortográfica oficial da língua portuguesa ocorreu em 1911, em Portugal, mas com pouca influência no Brasil.

No Brasil, adotou-se como base o vocabulário ortográfico da língua portuguesa editado em 1940 pela Academia das Ciências de Lisboa, mas seguindo a convenção ortográfica de 1943, aprovada pela Academia Brasileira de Letras.

Em 1971, no Brasil, e em 1973, em Portugal, foram promulgadas leis que reduziram algumas das divergências ortográficas entre os dois países.

O Novo Acordo Ortográfico, de 1990, pretende finalmente a unificação da escrita da língua portuguesa.

 

Academia Pernambuco

 

 

 

 

Primeira gramatica portuguesa

 

 

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