História da Imprensa

 

Acredita-se que a impressão mecânica de textos, em papel, começou na China, por volta do segundo século da Era Cristã. No século 15, popularizou-se na Europa, com técnicas de tipografia.

Há muitos milhares de anos, os humanos primitivos teriam deixado suas marcas para delimitar espaço ou para outras funções do cotidiano. Muitas chegaram até nós como arte rupestre. Por volta de 6.000 anos atrás, formas rudimentares de escrita surgiram no Oriente Médio e no Egito. Há cerca de 5.000 anos, símbolos gráficos, gravados em placas de xisto, eram usados em túmulos, na Península Ibérica. Na Antiguidade, textos eram escritos em pedra, argila, couro, papiro e outros meios. Diários manuscritos existiram no Império Romano, publicados pelo Senado.

O papel já era fabricado na China no século 2 da Era Cristã. Superfícies, com textos em alto relevo, existiam no Oriente, há muito tempo. Assim, alguém teria tido a brilhante ideia de pintar uma dessas superfícies e pressionar uma folha de papel para obter uma cópia do texto. Por volta do final do século 2, os chineses desenvolveram um mecanismo rudimentar para impressão em papel. Textos eram esculpidos, em relevo, em uma superfície, que recebia um tratamento de tinta. Cópias desses textos eram produzidas pela pressão da superfície sobre papel.

Por volta do século 6, as técnicas de impressão chinesas já estavam mais sofisticadas. O texto era inicialmente escrito em papel, então era aplicado, com a tinta fresca, sobre uma superfície ou bloco de madeira com uma fina camada de pasta de arroz, que absorvia a tinta. A parte da madeira, com o arroz sem tinta, era esculpida em baixo relevo, produzindo, assim, a superfície para impressão.

A obra impressa mais antiga conhecida é um rolo de papel com o Sutra do Diamante, um texto budista, em chinês, impresso no ano 868, encontrado, em 1900, por um monge, na Rota da Seda, em Dunhuang, na China. Tem 27,6 cm de largura por 499,5 cm de comprimento e foi impresso por uma superfície de madeira.

Em meados do século 11, o alquimista chinês Bi Sheng inventou um modo de impressão com caracteres reutilizáveis, feitos de cerâmica. Esses caracteres eram colocados em uma chapa de ferro, revestida com um tipo de resina, de acordo com o texto a ser impresso. A chapa era levemente aquecida e depois resfriada, endurecendo o conjunto. Após a impressão, a chapa era novamente aquecida e os caracteres, retirados.

No início do século 14, um tratado sobre tecnologia teria sido impresso na China, utilizando-se caracteres (tipos) móveis, feitos em madeira.

Na Coreia, em 137o, foi impressa a mais antiga obra conhecida, utilizando-se tipos móveis metálicos. Tratou-se do texto budista conhecido como Yukjodaesa Beopbo Dangyeong. Em 1377, outro texto budista coreano, conhecido como Jikji, foi impresso da mesma forma. Ambos estão no acervo da Biblioteca Nacional da França.

Na Europa, o papel chegou no século 12, através da Rota da Seda. A impressão usando talha em madeira, conhecida como xilografia, apareceu no século 14. Na primeira metade do século 15, pequenos livros, com textos religiosos, e gramáticas de latim, foram publicados com essa técnica.

Nos anos 1430 ou antes, o uso de tipos móveis metálicos apareceu na Europa e foi aperfeiçoado pelo alemão Johannes Gutenberg. Ele introduziu uma liga metálica, com chumbo, para os tipos, muito mais durável, e melhorou métodos de impressão. Em 1455 ou antes, Gutenberg publicou uma Bíblia, em latim vulgar, de impressionante qualidade gráfica, iniciando uma revolução na imprensa.

A imprensa proporcionou grande acesso à informação e foi uma das alavancas do Renascimento. Proliferaram-se universidades e jornais. Seguiram-se revoluções culturais. A primeira grande instituição vitimada foi a Igreja Católica, com a Reforma Protestante.

Nos séculos seguintes, os mecanismos de impressão foram aperfeiçoados, ganhando velocidade, automação e cores.

Em Portugal

Em Portugal, as primeiras impressões ocorreram na segunda metade do século 15. As primeiras obras conhecidas, publicadas em língua portuguesa, foram o Sacramental (1488), uma obra pastoral de Sánchez de Vercial, e o Tratado de Confissom (1489), um manual religioso impresso em Chaves, norte do País. Em 1495, foi publicado o Vita Christi de Ludolfo de Saxónia (c.1295-1377), por ordem da Rainha D. Leonor, pelos impressores alemães, estabelecidos em Lisboa, Valentim Fernandes da Morávia e Nicolau da Saxónia.

O primeiro jornal periódico foi a Gazeta, lançada em novembro 1641, em Lisboa, após a restauração da Coroa portuguesa. Mas os jornais só se popularizaram, em Portugal, após a Revolução de 1820.
 

História da Imprensa no Brasil

No Brasil, a notícia escrita começou na Bahia, com a Carta de Caminha. Em 1627, o baiano Frei Vicente do Salvador foi o primeiro brasileiro a escrever um livro de História do Brasil. Mas o primeiro a ter um livro publicado foi outro baiano, o escritor Manoel Botelho de Oliveyra (1636-1711). Tratou-se da obra teatral Hay Amigo para amigo (Coimbra, 1663).

A imprensa teve seu início oficial no Brasil em 13 de maio de 1808, com a fundação da Impressão Régia, no Rio de Janeiro, pelo Príncipe Regente Dom João. A Gazeta do Rio de Janeiro, da Impressão Régia, foi o primeiro jornal publicado no Brasil. Seu primeiro exemplar foi lançado em 10 de setembro de 1808.

Antes disso, em junho de 1808, começou a circular no Brasil o Correio Braziliense, um jornal clandestino e independente, impresso em Londres, por Hypolito José da Costa (1774-1823). Hypólito, que foi anteriormente diretor da Imprensa Régia, em Portugal, foi perseguido e preso por suas atividades nas "Casas Maçônicas". Fugiu da prisão, em 1805, indo para Londres.

Antes de 1808, os portugueses não viam com bons olhos a publicação de material impresso no Brasil, obviamente por facilitarem as revoluções.

É possível que as primeiras impressões com tipos móveis no Brasil tenham sido feitas no Recife, no século 17, durante o domínio holandês. Existem referências a uma tipografia que funcionou, também em Recife, em 1706, e outra no Rio de Janeiro, em 1747, ambas de duração efêmera, pois foram logo fechadas por ordem de Portugal.

Com a impressão proibida no Brasil, o século 18 viu a circulação de panfletos manuscritos, muitas vezes anônimos, como aqueles da Conjuração Baiana, do jornalista baiano Cypriano Barata.

A primeira gazeta de propriedade privada, publicada no Brasil, nasceu na Bahia, em maio de 1811, com o nome de Idade d'Ouro do Brazil e circulou até 1823. Na época, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, o Conde de Linhares, condicionou sua criação à existência de um revisor, papel aceito pelo Conde dos Arcos.

A censura prévia no Brasil continuou até 1821, quando foi abolida pelo Príncipe Regente D. Pedro. Infelizmente, a censura retornou em outras épocas do Brasil independente.

No início do século 20, os jornais eram os principais meios de comunicação em massa no mundo. A concorrência era grande e existiam jornais matutinos e vespertinos. O século 20 foi tecnologicamente desafiador para a imprensa (censura e perseguição sempre existiram). Os paradigmas da comunicação de massa mudou algumas vezes.

Nos anos 1920, chegou o rádio e não se pagava mais pela notícia. As emissoras precisavam, então, de patrocinadores. Nos anos '50 chegou a televisão e sua revolução das imagens.

Se o século 20 foi difícil para as empresas de comunicação, o século 21 chega avassalador. A mídia impressa dá seus últimos suspiros. A televisão tem seus dias contados. Em poucos anos, todo o conteúdo da TV será transmitido pela Internet para quando e onde os internautas quiserem ver. O Youtube TV foi lançado em março de 2017.

Até o século 19, a imprensa era principalmente regional. No século 20, a imprensa foi dominada por poucos e grandes grupos de comunicação para as grandes massas, processo que requeria bastante capital e concessões do governo.

 

A Evolução nos Meios de Comunicação

Primeiro eram sinais e grunhidos.

Depois os humanos inventaram a falar e as novidades eram espalhadas, boca a boca. Esse foi o mais revolucionário meio de comunicação de todos os tempos. Ainda hoje, funciona muito bem, apesar dos mal-entendidos. Também deu origem às fofocas, um eficiente meio de integração social.

Outra revolução foi a invenção da escrita, que permitiu a comunicação através dos tempos. Depois chegaram os arautos, que gritavam as notícias oficiais, lidas em um manuscrito. E chegou a imprensa, um eficiente meio de comunicação em massa.

Em seguida chegaram o telégrafo, o telefone, o rádio, a TV e a Internet, além de outros meios intermediários.

O século 21 será marcado pela comunicação das grandes massas para as grandes massas e será dominado por mentes educadas para entenderem padrões no caos. As grande corporações já disputam espaço na Internet com adolescentes que possuem apenas um computador em seu quarto. Mas a informação de qualidade sempre terá seu lugar e muitas empresas encontrarão seu espaço.

Alexandria

Impressora

Acima, máquina de impressão francesa Alauzet, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Uma das mais antigas existentes no Brasil. Esse tipo de impressão surgiu na Europa, no início do século 19 (Foto: Nelson Cadena, blogs.ibahia.com).

 

Imprensa

 

Gutenberg em sua oficina de impressão na Alemanha, no século 15 (ilustração de autor desconhecido, acervo Bettmann).

 

Ilustração que acompanha o texto budista Sutra do Diamante, impresso em 868, com técnica em madeira (original na Biblioteca Britânica).

 

Biblia

 

Gráfica

 

Historia

 

Jornal

 

Acima, página do Vita Christi, em português, impresso em Lisboa, em 1495 (Biblioteca Nacional de Portugal).

 

Idade Douro

 

A Idade d'Ouro do Brazil, o primeiro jornal privado do Brasil, lançado na Bahia, em 1811. A imagem acima é de um exemplar de 1813, abordando acontecimentos da Guerra Napoleônica, na Península Ibérica.

 

Vita Christi

 

Uma das Bíblias de Gutenberg, impressa em pergaminho, com 42 linhas e duas colunas por página, em 1455 ou antes, em latim vulgar. As cores foram adicionadas manualmente, após a impressão (Biblioteca do Congresso dos EUA).

 

Gráfica do século 16 com sua equipe de produção, na Alemanha (Tolnai Világtörténelme, 1908).

 

O Prédio histórico do Jornal A Tarde, na Praça Castro Alves, em Salvador, fotografia de cerca de 1935. Foi tombado e atualmente não é mais a sede do Jornal, que foi transferida para o Caminho das Árvores, para abrigar novos equipamentos de impressão. O Prédio foi adquirido por uma rede hoteleira. Por muito tempo o Jornal A Tarde, fundado em 1912 pelo jornalista Simões Filho (1886-1957), foi o maior meio de comunicação do Norte e Nordeste do País.

 

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Páginas do Jikji, impressas com tipos móveis metálicos, na Coreia, em 1377. Considerado, até 2017, como a mais antiga obra impressa dessa forma, até que se descobriu que o Yukjodaesa Beopbo Dangyeong fora impresso sete anos antes (original na Biblioteca Nacional da França).

 

Sutra

 

Jikji

 

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Por Jonildo Bacelar